O bouquet é, sem dúvida, um dos elementos de destaque num casamento. De facto, é difícil imaginar uma noiva a entrar na cerimónia sem um ramo de flores na mão, o que não é de admirar: afinal, este pequeno (grande) detalhe já existe há milhares de anos. 

 

Mas como é que terá surgido esta tradição?

 

Existem várias versões de como terá sido o formato concreto do bouquet, na sua génese, mas numa coisa as várias histórias concordam: os primeiros terão sido usados nas Antigas Grécia e Roma. 

 

Há quem diga que os primeiros ramos de noiva não eram ramos de todo, mas sim grinaldas de flores, bastante trabalhadas, que simbolizavam a fertilidade da noiva e celebravam uma nova união, plena de amor e confiança. 

 

Por outro lado, há também quem defenda que, em vez de belos arranjos florais, os ramos seriam feitos de cereais e vários tipos de ervas aromáticas. Poderiam ter uma ou outra flor para embelezar um pouco o arranjo, mas sem que fossem estas as protagonistas. Os cereais eram um símbolo de abundância e fertilidade, enquanto que os cheiros fortes das ervas aromáticas pretendiam afastar os maus espíritos e abençoar o casal. 

 

Esta última versão é também a mais comummente aceite para os ramos usados já na Idade Média. Diz-se que, nesta época, o cheiro dos ramos seria particularmente forte, e que incluiriam alhos secos, para protecção, e aneto, que seria considerado um afrodisíaco e ajudaria os noivos na preparação da noite de núpcias. 

 

Existe também o mito de que os bouquets teriam um cheiro bastante intenso para disfarçar o odor das próprias noivas, dadas as escassas condições de higiene da época. Apesar de comum, esta história parece ser infundada, já que as pessoas na altura teriam as suas rotinas de higiene diárias e que estas seriam mais evoluídas e práticas do que se pensa hoje em dia (embora, claro, nada substitua as maravilhas da água canalizada e de se poder tomar um belo duche quente todos os dias). 

 

Na verdade, foi na época vitoriana que o bouquet começou a tomar a forma que conhecemos atualmente (questionamo-nos muitas vezes como é que a Rainha Vitória não é a realeza padroeira dos casamentos). Foi nesta altura que as ervas aromáticas e os cereais perderam o seu destaque em prol de flores, arranjadas de forma a chamarem a atenção e complementarem o visual das noivas no seu grande dia. 

 

Mas, ao contrário do que se possa pensar, a cor, feitio ou beleza de uma flor não eram os únicos critérios a ter em conta na sua escolha para um ramo de casamento. O estudo da linguagem das flores tornou-se um passatempo de muitas famílias na época vitoriana e era normal que as famílias de classe média/alta tivessem em sua casa pelo menos um livro sobre o tema. Assim, o significado de cada flor era igualmente (ou mais) importante, pois simbolizava o que a noiva desejava para a sua vida de casada: por exemplo, Margaridas traduziam-se em “inocência” e “esperança”, ao passo que Rosas vermelhas eram o símbolo para “amor”, e Lírios do campo queriam dizer “pureza” e “doçura”. 

 

Esta atenção ao significado das flores é ainda tida em conta hoje em dia, em muitos casos, o que faz do bouquet mais do que um simples conjunto de flores: é um elemento essencial para muitas noivas, cheio de simbolismo e carregado com os sonhos do casal para o futuro que se avizinha. 

 

Como várias outras, esta é uma tradição milenar que evoluiu muito ao longo dos tempos. Nós adoramos descobrir estas histórias! Vocês já conheciam?